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Quem nos esclarece?! Há mais de 5 anos que os emigrantes guineenses em Itália estão sem esclarecimentos sobre quem são, de facto, os seus verdadeiros representantes.
Não foi a primeira nem a segunda vez que se questionou sobre o caso, mas até data permanece silêncio por parte da Presidência da República e da Primatura de Guiné Bissau, entidades competentes para a nomeação de cônsules honorários. Em 2003, num Convénio organizado pela Associação dos Emigrantes Guineenses na cidade de Verona, em que participou uma delegação proveniente de Bissau e de Lisboa, composta respectivamente pela então primeira Dama Necas Pereira Rosa, em representação do Presidente Interino Henrique Pereira Rosa, pelo ex-ministro da Justiça, Carlos Pinto Pereira e pelo ex-Embaixador Plenipotenciário Bissau-guineense em Portugal, Joãozinho Vieira Có, os nossos conterrâneos residentes na cidade de Trento revelaram às autoridades presentes que um senhor italiano cujo nome se desconhece, hasteava a bandeira da Guiné-Bissau no seu gabinete de trabalhos e fazia propagandas em como ele era um dos cônsules honorários da Guiné-Bissau. Esta prática criminosa foi minimizada pelo embaixador Vieira Có que no uso de palavra, na ocasião, disse desconhecer o caso, tendo prometido encontrar uma solução o mais breve possível. Com o tempo, segundo os "guineetrentinos", a nossa bandeira desapareceu do local onde diariamente propalava ao vento. Desconhece-se as razões que estiveram na origem dessa "brincadeira de mau gosto", mas presume-se que por detrás da história estariam mãos ocultas. É que conforme reza o provérbio: não há fumo sem fogo. As coisas não ficaram por aí. O Consulado da Guiné-Bissau em Piacenza, que outrora fazia tudo, desde emissão, prorrogação de Passaportes e autenticação de vários documentos, vê-se limitado nos seus poderes dia após dia. Hoje, naqueles serviços, apenas se prorrogam os Passaportes. Para outros efeitos a única alternativa é Lisboa. Sabe-se da existência dum outro Consulado em Roma, mas a maioria dos nossos concidadãos não conhecem o seu representante. Aliás, em quase todos os eventos que se organizam na cidade de Verona, "baluarte" dos nossos emigrantes, vê-se apenas a presença do ilustre Luciano Zilocchi. Em Novembro do ano passado, num encontro decorrido na cidade de Piacenza, entre o ex-Primeiro ministro, Manuel Saturnino da Costa e a comunidade guineense em Itália, os participantes apelaram as autoridades de Bissau para que atribuissem mais poderes ao nosso Consulado em Piacenza. Não é uma exigência legal, mas sim uma expressão da vontade do Emigrante no que diz respeito a nomeação do seu representante directo. Por outro lado, observando a realidade italiana e a letargia na movimentação de documentos, chega-se facilmente a conclusão que valeu a pena termos 2 Consulados como tem acontecido até aqui, uma vez que as sua actividades são controladas pela nossa Embaixada em Portugal. No encontro com Manuel Saturnino Costa Comunidade guineense apela mais poderes ao Consulado de Piacenza A Comunidade guineense em Itália solicitou ao Estado e ao Governo da Guiné-Bissau que atribua mais poderes ao Consulado da Guiné Bissau em Piacenza. Pelo menos, é o que se pode resumir da maioria das intervenções dos presentes no encontro com o vice-presidente do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo-Verde, PAIGC, Manuel Saturnino da Costa, em finais de Novembro último, em Piacenza. O evento, considerado por alguns, de campanha do partido no poder, e por outros de sinal de abertura dos que nos têm governado há mais de 30 anos, teve lugar num dos hotéis daquela cidade e contou com a presença de um dos cônsules honorários da Guiné-Bissau em Itália, Luciano Zilocchi e de menos de duas dezenas de pessoas. A razão que poderá ter estado na origem da fraca assistência foi uma festa da comunidade guineense que decorria no dia do encontro na cidade de Verona. Manuel Saturnino da Costa explicou que foi, e continua a ser uma das preocupações dos dirigentes do país inteirar-se da vida dos guineenses que vivem na Diáspora : "Por isso, cada vez que passamos por onde vive a nossa comunidade, vamos ao seu encontro, discutir com ela e esforçamo-nos por encontrar mecanismos para aliviar as suas dificuldades". O vice-presidente do PAIGC falou durante cerca de uma hora sobre a situação sócio-económica e política do país, tendo realçado o esforço do executivo de Carlos Gomes Júnior no cumprimento dos compromissos nacionais e internacionais : "Neste momento, o Governo não tem dívidas para com os funcionários públicos. Já pagamos todos os atrasados e iremos também pagar aos professores, a dívida que não contraímos com eles ", contou. O ex-primeiro ministro fez estas declarações como se fossem um favor que o Governo guineense iria fazer a classe docente. Talvez por ter esquecido que quando se governa se honra todos os compromissos do (antecessor, ou antecedente)... Saturnino da Costa manifestou o seu optimismo em ver a Guiné-Bissau numa fase de desenvolvimento mais avançada nos próximo tempos, segundo ele, se forem extraídas e geridas com inteligência todos os recursos minerais e aquáticos de que o país dispõe. A propósito, apelou a reconciliação nacional e o esquecimento do passado. Aos emigrantes deixou uma advertencia: "não esqueçam a pátria que vos viu nascer". Entretanto, tendo a maior parte do tempo sido consumido pelo discurso do vice-presidente do PAIGC, não foram suficientes tempo reservado a intervenções para que os participantes colocassem todas as suas preocupações. Mesmo assim, pediram ao visitante que servisse de elo de ligação entre às autoridades de Bissau e o grupo de guineenses que se estabeleceu em terras do César. Os emigrantes pediram mais poderes para o Consulado de Piacenza, uma vez que o Consulado de Roma dista 600 quilómetros da zona com maior afluência dos guineenses. Perguntaram do militar Melciades Gomes Fernandes (Manél-mina) acusado de atentado à bomba que ceifou a vida do Ex-CEMGFA, major-general Tagme Na Waie. Em resposta, o ex-ministro da Presidência do Governo de Carlos Gomes Júnior disse que tudo o que se fala à volta daquele "homem de armas" não corresponde a verdade. "Manél-mina está bem, vivo e livre", assegurou. Como se diz, perguntas incómodas no diálogo com homens pouco dialogantes criam sempre um clima de tensões e desentendimentos. Foi o que se viveu por alguns minutos na sala da reunião quando um dos emigrantes perguntou da segurança do deputado Conduto de Pina que recentemente foi, por duas vezes, alvo de atentado à morte. A seu modo temperamental e pouco diplomático, Manuel Saturnino da Costa respondeu que nada sabe da vida privada do deputado Conduto de Pina, mas confirma serem da mesma formação política e, que se cruzam de vez em quando na sede do PAIGC. "Aquilo que ouviste é o que também ouvi. Os militares o acusaram e apresentaram suas provas", disse com nervos a flor da pele. "Naquela altura, era eu o chefe do Governo. Fiz o meu trabalho e entreguei ao Ministério Público para o prosseguimento do processo", vincou descartando-se com interrogações a pessoa que o questionava: "porque não perguntaste do Roberto Cacheu? Porque és do "chão dos bijagos?!". A tensão era grande e o vice-presidente do PAIGC não teve a concentração e a paciência suficiente chegando ao ponto de qualificar de "Santchundadi" um pequeno incidente (troca de palavras) entre os participantes, sobre quem deveria ter a preferência para intervir. Atitude que em nada dignifica um homem do Estado no terceiro milénio em que vivemos. O encontro terminou com promessas do visitante de tudo fazer para que as preocupações dos emigrantes guineenses chegassem ao Estado e ao Governo da Guiné-Bissau. O Consulado da Piacenza é considerado mais o próximo dos nossos emigrantes, talvez pela sua localização em zona com maior fluxo emigratório em Itália. Outrora fazia tudo no que diz respeito a documentação, mas agora vê-se limitado nos seus poderes. O próprio cônsul honorário Luciano Zilocchi, numa das situações de urgência com os guineenses, recorreu a Embaixada da Guiné-Bissau em Lisboa, comprando passaportes à preços de 75 euros cada, negócio nada dignificante para uma Instituição que coordena as actividades diplomáticas bissau-guineense em Itália. Apesar de tudo, ainda existe uma grande disponibilidade por parte do Senhor Zilocchi de nacionalidade italiana que a maioria dos emigrantes consideram de "grande patriota". Os factos por si só testemunham a sua disponibilidade. "Zilocchi é um cônsul que fala com todos a qualquer hora do dia", disse uma voz concluindo: "prorroga passaportes e outros documentos, mesmos sem dinheiro. Pagámos apenas quando temos dinheiro". Esta é a pergunta que se pode ouvir por quase todos os sítios por onde se juntam os nossos conterrâneos.
A grande verdade é que iniciativas destas deixam muito que falar, sobretudo no momento em que a comunidade guineense em Itália esperava com grande ânsia um encontro com o Presidente da República, Sua Excia o Senhor Malam Bacai Sanhá que se encontrava em Roma, no decurso da última Cimeira do FAO. Manuel Saturnino da Costa é uma figura de peso incontestável. Quer queiramos ou quer não este homem faz parte da grande história da Republica da Guiné-Bissau. Mas, no contexto de hoje, aliada a responsabilidade que exerce no seu partido, seria impossível reunir consenso da maioria. Os emigrantes precisavam mais da visita de um dirigente do Estado ou do Governo, e não de dirigente de uma formação política, fosse vice-presidente do partido no poder ou não. Seja como for é uma iniciativa louvável e é a segunda na história dos nossos emigrantes naquele país europeu. A primeira aconteceu com o Governo de Transição dirigido por Francisco José Fadul, em 1999, na cidade de Verona. Espera-se doravante que os nossos governantes sigam o exemplo do histórico Saturnino Costa e que quando viajam para a Itália não se instalem em Roma, porque a grande comunidade guineense se encontra na zona norte, concretamente em Verona. Agostinho Pereira Gomes (Apego) (News) |