Guineenses em Itália

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Comunidade onde factos soam-se menos forte

 

Riunione_22oct2009Dois encontros entre a comunidade Bissau-guineense em Itália e uma equipa da Radiotelevisão Portuguesa RTP-África, teve lugar nos dias 22 e 24 de Outubro último, na cidade de Verona.

Dar a conhecer os problemas mais candentes às autoridades de Bissau, foi o objectivo que juntou mais de duas dezenas desses conterrâneos provenientes de diferentes cidades italianas, numa das salas de reuniões da residência universitária Dom Bosco.

Informações a que tivemos acesso dão conta que a fraca participação registada no encontro prende-se com a falta de informação. "Muitas pessoas não foram suficiente e atempadamente informadas, e isso reflectiu-se muito no número que vimos na sala", disse uma voz que pediu anonimato.  Esta justificação foi contrariada por um dos decanos que sustenta ser a má fé e a falta de interesse dos que optaram-se por ausentar. "Nós, guineenses em Itália, somos excelentes em fazer algo individualmente. Mas quando se fala de trabalhos conjuntos, as palavras soam-se mais alto que os actos", revelou.

Para quem conhece a realidade dos guineenses naquele país europeu nunca se sente surpreendido pelo número de participantes no encontro. Mais uma vez, ficou demonstrada a "incapacidade" dessa comunidade de se aglomerar em torno de objectivos comuns para o bem da Guiné-Bissau. Há mesmo quem afirma que só sabem agrupar-se para festas.

Foram dois dias, que os presentes aos encontros falaram de iniciativas e de apoios que têm para o desenvolvimento sócio-económico da Guiné-Bissau, concretamente para os sectores da Saúde e da Educação; discutiram questões relacionadas com o regresso de quadros formados nas universidades italianas. As elevadas taxas aduaneiras praticadas pelas autoridades de Bissau, esteve igualmente no centro das atenções dos interlocutores. O caso emissão e prorrogas de passaportes foi o mais salientado no primeiro dia do encontro. Pelo que se constacta, existem algumas pessoas com passaportes caducos. Este facto tem constituído "dores de cabeça" para os que se encontram na referida situação, visto que para a aquisição de novos documentos os nossos emigrantes têm que viajar até Portugal. O agravante de toda a história é que o Consulado Honorário da Guiné-Bissau sita na cidade de Piacenza que outrora atribuia o documento, já não tem poderes para tal. A este propósito, a comunidade guineense em Itália apela às suas autoridades no sentido de encontrarem uma solução urgente para o caso.

O encontro culminou com um "cock-tail" oferecido pala ASEQUAGUI, (Associação dos Estudantes e Quadros Guineenses em Itália), fundada recentemente pelo farmacêutico Alfredo Sambu e que já deu significativos passos no que diz respeito a mobilização de parceiros e fundos para a implementação de alguns projectos sociais na Guiné-Bissau.

Durante a sua estada em Itália, a equipa da RTP-África constituída pelos repórteres Indira Correia Baldé e Malam Biai teve um outro encontro com o médico Dionísio Chumbá, presidente da Associação "Toka Toka - África" com quem debateu questões que se prendem com a vida desta ONG que já opera há um ano na Guiné-Bissau, e também participou na cerimónia do lançamento do álbum Djemberém do professor universitário Filomeno Lopes, na cidade de Roma.

A comunidade Bissau-guineense em Itália, segundo dados do Consulado de Piacenza, rondam os 450 residentes legais.

 

 

Caso Passaporte


A quem compete sua emissão?


Na República da Guiné-Bissau, a emissão de Passaportes compete ao Estado guineense através do (Ministério dos Negócios Estrangeiros, para o caso de Passaportes diplomáticos, e o Ministério da Administração Interna, para o caso dos passaportes ordinários, ou comuns).

 

Podem os Cônsules Honorários emitir passaportes?


Fonte credível afirma que há situações em que o Estado guineense pode atribuir competências a alguns dos seus consulados honorários para a emissão de passaportes. Por exemplo, quando o Estado não está em condições de instalar uma Embaixada e nem sequer um Consulado Geral num país onde residam muitos guineenses pode aceitar e nomear um Cônsul Honorário, que deve sempre ser alguém influente(empresário, por exemplo) e com condições para criar um escritório destinado à instalação dos serviços consulares da Guiné-Bissau.

A mesma fonte avança ainda sem no entanto especificar, que há registos de Cônsules Honorários que têm chegado a mandar confeccionar Passaportes guineenses e os vendem como mercadoria sua, totalmente fora do controlo do Estado guineense, acto considerado triplamente ilegal: confecção ilegal; distribuição ilegal; e receitas ilegais.

 

Agostinho Pereira Gomes (Apego)

 

(News)