Consulado Bissau-guineense em Piacenza

"DIGOS" disse stop às actividades

 

A polícia secreta italiana (DIGOS), ordenou no dia 7 do corrente mês, a suspensão de todas as actividades dos Serviços Consulares bissau-guineense em Piacenza.

Em causa, segundo apurámos, estão as suspeitas das autoridades policiais do envolvimento do diplomata Luciano Zilocchi na emissão de documentos, nomeadamente passaportes guineenses, a cidadãos de outras nacionalidades, assim como a regularidade do cargo que vinha exercendo há 25 anos.

Na conferência de Imprensa realizada no dia 11, no gabinete do seu advogado Michele Morenghi, em Piacenza, o diplomata não escondeu a sua indignação com o que aconteceu.
"Foi na manhã do dia 7 que um grupo de 5 agentes da "DIGOS" entrou no meu escritório sem a minha autorização, enquanto estava no wc a fazer a barba. Tiraram do bolso do meu fato o meu passaporte diplomático. Depois de alguns minutos de conversações os agentes acusaram-me de estar a operar de forma ilegal e de ter emitido passaportes guineenses a cidadãos de outras nacionalidades" explicou.

Luciano Zilocchi considera de falsas e infundadas essas acusações, prometendo accionar judicialmente a "DIGOS" por forma a que este apresente provas da emissão ilegal desses documentos. Aliás, conforme anunciou e confirmado pelo seu advogado de defesa, o processo está em curso e brevemente será apresentada uma queixa contra o acusador.

Para este diplomata, dos 25 anos que trabalhou como Encarregado de Negócios e Plenipotenciário da Guiné-Bissau em Itália, concedeu 2849 vistos de entrada para à Guiné-Bissau, a cidadãos italianos, na sua maioria missionários, mas nenhum desses documentos foi rejeitado pelas autoridades policiais.

"Se hoje se fala da minha ilegalidade no exercício deste cargo, é porque alguma coisa não está clara", lamentou.

Instado a pronunciar-se sobre a questão colocada pelo jornalista do semanário de Piacenza "Libertà", do reconhecimento do seu cargo pelo Estado italiano, o cônsul honorário lembrou que há alguns anos atrás foi vítima de três graves acusações, nomeadamente a venda de aviões de combate franceses "Mirage" a Guiné-Bissau; a colaboração com o grupo terrorista "Brigada Negra"; e de ter recebido milhões de euros de uma produção sem citar o nome, e dividir o dinheiro com a mafia. "As autoridades judiciais provaram depois que essas acusações eram infundadas ".

Todavia, disse ter sido nomeado pelo Presidente da República guineense como Encarregado de Negócios e Plenipotenciário da Guiné-Bissau em Itália, cargo que, segundo ele, para ser exercido não precisa do aval do Governo do país onde vive o cidadão que o exerça, porque se trata de negócios. "Encarregado de Negócios é Encarregado de Negócios..., não é Encarregado de Negócios da Embaixada, porque em Itália não existe ainda a Embaixada da Guiné-Bissau".

Além disso, afirma ter na sua posse um passaporte diplomático emitido pelo Estado Italiano, e um diploma chamado(Carta patente) que lhe autoriza o exercício das funções de Cônsul Honorário, emitido pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros da Itália no ano de 1986, com as assinaturas de Francesco Cossiga e Giulio Andreotti, ex-chefe de Estado e primeiro-ministro italiano respectivamente. "Da data em que tenho essa autorização, comecei a dar a assistência a comunidade guineense residente em Itália. Portanto, nunca dei passaportes a cidadãos que não sejam da Guiné-Bissau", realçou.

Entretanto, está previsto um encontro de esclarecimento entre o cônsul Luciano Zilocchi e a comunidade guineense no próximo dia 18 de Julho, na cidade de Verona.

Assistiram a Conferência de Imprensa o presidente da Associação dos Estudantes e Quadros Guineenses em Itália, Alfredo Sambu e o presidente do Centro Democrático Guineense, Empossa Ié.



Mais de 2 mil guineenses sem assistência consular


Com a decisão da Divisão de Investigações Gerais e Operações Especiais (DIGOS), de encerrar os serviços Consulares Bissau-guineense de Piacenza, o grande prejudicado é a comunidade guineense que, doravante, caminhará a sorte do "Senhor todo poderoso", visto que Luciano Zilocchi era o único que lhes dava a devida assistência. O diplomata em causa também disponibilizava-se sempre para a resolução de problemas pessoais entre os nossos concidadãos e os agentes de autoridades italianas. Neste momento, vinha a seguir um caso em tribunal concernente a um cidadão guineense preso nas celas da Sicília, sul da Itália. Quiçá, com a suspensão dos seus serviços o processo venha a ser arquivado e o prisioneiro permaneça na prisão para além do tempo previsto pela lei.

Espera-se a intervenção urgente do Estado guineense no caso para que tudo possa voltar a normalidade.

 

ApegoAgostinho Pereira Gomes (Apego)

 

 

 

 

 

 

(news)